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terça-feira, 24 de agosto de 2010

início II (reescrito)

(...)Nós nos conhecemos nas circunstâncias mais comuns em que se podem ocorrer num ambiente escolar. Faziam o mapa de sala e, acidentalmente fui posta ao lado dela. E digo acidentalmente porque nesse ano eu havia acabado de ingressar na escola e eu não tinha que ficar ditando predileção, então aceitei o lugar sem hesitar. Ela já estava no seu lugar quando eu cheguei. Serena, com os cabelos loiros na ponta onde se formavam cachos perfeitos e com uma raiz escura denunciando uma tintura não muito recente. Branca e um traço fortíssimo eram seus lábios carnudos, mas que eram harmônicos ao resto dos seus traços. Ela não olhava para mim, pra ninguém, aliás. Não parecia ter relutado em ficar lá e nem parecia ter alguma ‘amiguíssima’ naquela sala. O lugar vazio ao lado dela era convidativo e então eu me sentei. Eu já estava transtornada em ter saído da minha antiga escola e disse a mim mesma que não iria fazer o mínimo esforço para arranjar uma nova colega. Sentei-me sem cerimônia e ela levantou os olhos, soltou papel e caneta e foi então que ela olhou para mim, me deu um sorriso acolhedor e simpático e perguntou meu nome. De um modo estranho eu me senti iluminada e importante como eu não me sentia há dias. Eu me pus a sorrir também, consciente de que as minhas idéias não seriam postas em prática e, estranhamente, só depois me deparei com o seu olhar e descobri que após esse, o meu novo plano seria de que eu nunca deixaria que eles parassem de se dirigir a mim.
- Cristin e o seu? – Respondi quando ela quis saber meu nome.
- Hayley.- Sorriu novamente e eu devolvi com outro sorriso,torcendo para que ele houvesse sido tão acolhedor quanto o dela.Acho que foi uma tentativa infeliz.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

POP

Ao passo que eu procurava por uma cadeira vazia,me contentava com a idéia de que eu teria de me sentar na única disponível atrás de ,ninguém mais ninguém menos que,Fred.A ultima coisa que eu queria era me aproximar dele depois do que aconteceu no dia anterior.Eu temia que aquilo pudesse mexer com as estruturas da nossa 'saudável amizade'ou que ele pensasse que eu estava me encantando por ele.De certo modo ele já me encantava antes do dia em que as borboletas deram a louca na minha barriga,mas não do jeito amoroso da coisa.O meu encantamento pelo Fred se resumia por ele ser tão diferente dos garotos,por ele ser engraçado e por ele fazer com que eu me sentisse bem, mesmo que inconscientemente.Ele me cativava,apenas isso.
A aula de Geografia já havia começado e o professor,ordináriamente estava tentando fazer com que a turma calasse a boca,e eu estava me dirigindo a cadeira que sobrava.Eu,sinceramente,tinha sutis intenções de prestar atenção na aula dele,mesmo que fosse impossível com o barulho que a classe e eu,como vice-líder,teria que chamar a atenção do pessoal e geralmente eu o fazia gritando e eu preferia não ter de gritar do lugar de onde eu estava sentada.Outro motivo,além de eu ser uma aluna dedicada,era que eu teria um pretexto para não ter que puxar assunto com Fred.Porém a minha tentaiva foi infeliz;O professor não conseguiu domar a sala e eu tive que fingir que estava escrevendo alguma coisa no meu caderno,mesmo assim,Fred parecia inquieto,e alguns segundos depois ele disse:
-Baixei todo o cd da Lady Gaga.-Disse isso sem mais nem menos,sem olhar para ninguém,fixando o horizonte.Embora eu desconfiasse que ele tinha dito aquilo se dirigindo a mim,eu fingí que não ouvi e continuei a escrever.E se não fosse para mim ?Eu tinha medo da franqueza do Fred.De acordo com o que eu o conhecia,se eu respondesse e ele não tivesse falado comigo,com certeza eu teria uma resposta muito agradável vinda dele e eu preferí não correr o risco.Se fosse comigo,ele daria um jeito de reformular a pergunta.Repetí-la como um retardado não fazia o tipo dele.
-Cara,as músicas dela são boas pra cacete-Disse ele.Certo;ele não me chamaria de 'cara'.Com certeza ele estava falando com seu amigo da frente.Continuei a escrever meu texto fantasma,quando de súbito, ele se virou para mim,com uma sutil expressão de impaciência junto á uma calma estampada no rosto:
- E aí,você já ouviu todas as músicas dela ? -Levantei o rosto e não soube o que dizer,mas eu poderia ver a minha expressão de retarda mental imaginando o meu próximo ato de olhar para os lados,apontar para mim mesma e perguntar 'está falando comigo' ? Mas,graças á Deus,eu respondi:
-Ah.não,não.Mas eu já ouvi falar de uma que se chama..hã..game love...love game ,algo assim.
-É Love Game.Huum,não é muito legal ,não.A melhor é Paparazzi.
-é,eu acho que devo confiar em você quanto a isso.
De repente eu me dou conta de que estamos conversando civilizadamente ,e eu sentí falta de uma desavençazinha básica.Aquele papo de gente normal já estava me enchendo.
-Quando você vai me passar o cd completo ? Eu quero isso amanhã na minha cadeira quando eu chegar.
Ele riu e depois me olhou com desprezo e eu disse:
- Acha que eu estou brincando ?Você sabe o quanto eu gostei dessa cantora quando você me mostrou.A culpa é sua.
- Sei. Vou pensar no seu caso.-Ele sabia o quanto eu odiava essa frase,e era a que ele me falava com mais frequência.
-Cala essa boca e me dá seu Ipod.Eu aposto que elas estão todas aí.-Disse eu.
-O que te faz pensar que eu coloquei as músicas aqui.Só por que VOCÊ gosta ?
-É claro.
Eu passei a manhã toda com o Ipod dele ouvindo as músicas,que por sinal,eram ótimas e fiquei implorando para que ele me trouxesse tudo num pen drive para mim no dia seguinte.Ele disse que iria 'pensar no meu caso'.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

my lips. his lips.

''Eu não lembro como e nem de onde ele havia surgido,só me lembro de que ele queria pegar algo na mochila(...)e ao apontar para algo no papel em que eu me empenhava,ficou muito próximo de mim.
Realmente muito próximo.
Eu podia sentir sua respiração e seus cabelos tocavam nos meus.Seu hálito era fresco. Então,borboletas na barriga.Por um instante me veio a imagem de nós dois nos beijando; e nós podíamos ter nos beijado ali mesmo,no meio de todos,tamanha era a nossa exacerbação interna e discreta que nos permitia.Nossos lábios pediam para sentir um ao outro.Eu queria aquilo.Ele queria aquilo,mas por algum motivo não o fizemos.
Ele murmurou algo para mim,e eu nem devo ter ouvido de tão desnorteada que estava. Ele percebeu.
Ele saiu.''
and all the songs i did about you in my lonely nights,now are not more than words that made me cry.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤCarolyne Tavares

i can't break the monotony.

Desculpem,mas eu tenho que falar sobre o quão monótona e sem-sal está a minha vida.Você poderia multiplicar essa monotonia por 100, elevar ao quadrado e ainda assim, não teria noção da falta de atividades enérgicas que estão em falta na minha querida rotina,que se resume a acordar tarde ( e,ainda assim,sentir-se sonolenta durante o dia todo ),fazer todo o procedimento que - se você é uma pessoa limpa e consciente - você saberá.(Okay,no caso de você não saber:é escovar os dentes,tomar banho,enfim.)Depois,procurar algo para assistir na tv aberta ( o que é impossível).Frustrar-se.Entrar na internet,ver que seu blog não tem mais de 3 visitantes desde o dia anterior. Frustrar-se novamente.Passar a manhã esperando sua mãe chegar na ansia de que ela traga alguma novidade (perceba o nível em que a falta de acontecimentos me causa.Meu deus ! Eu espero que minha mãe traga novidades do trabalho dela.Eu tenho que parar com isso. )
O resto do dia se resume a filmes,cujos eu já devo ter assistido milhões de vezes.
Choro com os filmes que já vi milhões de vezes.Depois ouço Here comes your men.
Nem chego perto de papel e caneta porque eu sinto que não estive produtiva e não quero me frustrar pela terceira vez.
Não há lugares em que eu possa ir porque minha mãe está fora.
Inevitavelmente,me frustro imaginando o que de bom está acontecendo lá fora enquanto eu estou em casa,chorando que nem uma porca,e perdendo os melhores anos da minha vida.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

work.

Era aula de artes,e para ser sincera,eu amo artes.Sendo sincera novamente,eu odiava a professora.Ela falava tudo,absolutamente tudo no gerúndio (Turma,hoje nós estaremos escrevendo sobre ''O que é arte '';Turma,amanhã estarei dando o visto nos livros.Enfim,uma mania desprezível.Ela se vestia repudiantemente.Toda vez que escrevia seu nome no quadro,parecia que queria mostrar seu talento proveniente de algum tipo de curso de técnicas para letras de convites de casamento,ou seja lá qual for o nome que se dá á esses cursos em que ensinam a enfeitar toda a letra. Considere os seus planos acima (especificamente a primeira sobre escrever sobre arte)porque eram suas intenções reais.Ela jamais planejou uma aula em que nós,devidamente,fazíamos arte.Devia ser algo ilógico para ela nos mandar fazer trabalho manual que exigisse criatividade (e que,claro,pudesse mostrar meus dotes artísticos.) Naquele dia,a professora devia ter acordado disposta,tirado o atraso com o marido,recebido seu soado dinheirinho,e tudo mais que se pode acontecer de bom a alguém como ela.O fato é que ela finalmente tinha passado algo em que eu poderia me sobressair (não que fosse raro).Não lembro o quê exatamente,mas foi realmente bom ! Os garotos estavam reunidos em um círculo pequeno demarcado por cadeiras perto da mesa da professora. Eu precisei de cola e,colei o que tinha de colar o mais rápido para não perder o fio da meada do meu trabalho,então apoiei o papel em cima de uma cadeira próxima á mesa da professora.
Era de Fred. Droga.
Eu não lembro como e nem de onde ele havia surgido,só me lembro de que ele queria pegar algo na mochila.Como sempre,aproveitou para fazer piadinha do meu trabalhinho e,ao apontar para algo no papel em que eu me empenhava,ficou muito próximo de mim.Realmente muito próximo. Eu podia sentir sua respiração e seus cabelos tocavam nos meus.Seu hálito era fresco. Ele murmurou algo para mim,eu também não lembro o que era,eu estava tão concentrada naquele momento,na sua pele roçando na minha que nem me dei conta de que a cola havia se espalhado por todo o papel.
Ele percebeu. Ele saiu.Eu percebí sua timidez. Fui pedir outro papel para a professora.
Idiota.
ambos.

sábado, 3 de julho de 2010

where are my dreams ?

Mesmo quando os sonhos são roubados,nunca são perdidos.Há momentos em que eles estão escondidos,tímidos e talvez com medo de serem libertos,mas nós sempre poderemos achá-los.
E estarão dentro de nós mesmos.